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quinta-feira, 25 de maio de 2017

COCAR ABRE INSCRIÇÕES PARA A CAMINHADA DO FORRÓ


O Coletivo Cultural de Arcoverde abre, no período de 01 a 10 de junho, as inscrições para os músicos que desejarem participar da Caminhada do Forró de Arcoverde, que acontece no dia 24 do mesmo mês.

Para se inscreverem os interessados devem preencher a ficha de inscrição e juntar cópia dos seguintes documentos:
-  RG e CPF
- comprovante de residência (com vencimento em abril/2017 ou mês posterior)
- comprovante de conta bancária
- histórico do artista

A novidade este ano é que serão aceitas, além de sanfoneiros, inscrições de ritmistas (zabumba, triângulo e pandeiro).

A inscrição deverá ser formalizada na Rua José Lins de Siqueira Brito, 65, Centro,  em frente à Arcotrans, com Draiton Moraes.

Mais informações pelo e-mail: cocarcoverde@gmail.com ou pelos fones (87) 99938-6329/99141-4060 (whatsapp).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

PREFEITA DE ARCOVERDE RECEBE O COCAR

Reunião para tratar da Caminhada do Forró
O Coletivo Cultural de Arcoverde, na pessoa do seu Diretor Jurídico Kleber Araújo e do Produtor Cultural, Jean Carlos, foi recebido pela Prefeita Madalena Britto. Na pauta da reunião: a Caminhada do Forró. Os representantes do Coletivo expuseram a necessidade de uma melhor estrutura para o evento, que ano após ano vem se destacando como um dos pontos altos do São João Arcoverdense.

A Prefeita esteve acompanhada do Vice, Wellington Araújo, da Secretária de Comunicação e Cultura, Tereza Padilha, do Articular do Política Cultural, Henry Pereira  e da Secretária de Desenvolvimento Econômico, Jussara Barbosa.

A chefe do Executivo afirmou que mantinha o compromisso de incentivar ações que enriqueçam o nosso São João e que a Caminhada do Forró é uma das ações que merecem total atenção da municipalidade por ser um evento já consolidado e que integra, inclusive, o calendário cultural do Município. Uma das sugestões da Prefeita é que se inclua no cortejo da Caminhada grupos da cultura popular do Município, como pernas-de-pau, bois, etc.

Madalena Britto determinou que seu staff atuasse em parceria com o COCAR e fornecesse toda a estrutura necessária para que o evento venha a repetir o êxito das edições anteriores e até melhore em termos de organização e apoio aos arcoverdenses e turistas que participam da Caminhada.

Novas reuniões serão realizadas entre os integrantes do COCAR e as Secretarias de Cultura e Desenvolvimento Econômico, com o objetivo colocar a Caminhada do Forró num patamar compatível com a grandeza do São João de Arcoverde.

A Caminhada do Forró de Arcoverde está em sua sétima edição e será realizada no dia 24 de junho (sábado), com concentração marcada para às 10h no Bar Madeira de Lei (próximo à Estação da Cultura), com cortejo seguindo até o Centro Comercial de Arcoverde - CECORA, onde funciona a feira.

FOTO: COCAR

segunda-feira, 15 de maio de 2017

FORRÓ DOS ARCOVERDENSES EM RECIFE SERÁ DIA 27 DE MAIO



O Forró dos Arcoverdenses em Recife este ano será no próximo dia 27/5 (sab), na casa de shows Sala de Reboco (Rua Gregório Júnior, 264 - Cordeiro), a partir das 21h. Atrações: Paulinho Leite, Eduardo Moreno, Quinteto Sala de Reboco, Márcia Lima, Manoelzinho do Acordeon e Zé Mário Drums.

Os convites para o "Forrobodó" serão entregues no próximo sábado (20/5), a partir das 11h, no Bar e Restaurante Caprinos, especializado em comida regional, na Rua General Abreu e Lima, 407 - Rosarinho.

Mais informações com a Comissão Organizadora, Toni Porto (WhatsApp: 98525-6587) e Edson Bezerra (WhatsApp: 99138-2075).

terça-feira, 9 de maio de 2017

COCAR REPUDIA PROPOSTA DE UTILIZAÇÃO DO TEATRO MUNICIPAL PARA FINALIDADE ESTRANHA À CULTURA

Teatro Municipal Geraldo Barros, espaço dos artistas, segue fechado





O COCAR - Coletivo Cultural de Arcoverde, entidade que há sete anos vem atuando em defesa da cultura local, manifesta a sua profunda indignação com a notícia que circulou no dia de hoje nas redes sociais acerca de requerimento encaminhado pelo Vereador Weverton Siqueira, o "Siqueirinha" à Prefeita Municipal, na seção da Câmara Municipal do dia 08/05, no sentido de utilizar o Teatro Municipal Geraldo Barros como espaço para abrigar os vendedores ambulantes, que hoje ocupam ruas do centro da Cidade.

A proposta, que causou revolta no Movimento Cultural de Arcoverde, ignora por completo a luta que vem sendo travada há mais de uma década para que o espaço seja entregue à sociedade e tenha a destinação para o qual foi projetado, além de vir num momento totalmente inoportuno, posto que acaba de ser criada a Secretaria Municipal de Cultura e Comunicação, a qual tem como uma das promessas a ocupação do Teatro Geraldo Barros pela classe artística.

Sem desconhecer a necessidade de ordenamento da atividade dos vendedores ambulantes, que é uma reivindicação mais que justa dos interessados, o COCAR espera ter dos ocupantes do Legislativo Municipal gestos de atenção com a cultura local e, jamais, ações que atropelam os anseios do segmento artístico e demonstram uma total falta de sintonia com o momento ímpar por que passa o Movimento Cultural de nossa Cidade.

Esperamos que o autor do requerimento se sensibilize com a causa dos artistas e retire de imediato o expediente encaminhado à Prefeita Municipal.

foto obtida da internet, sem indicação de créditos

domingo, 23 de abril de 2017

ALTERADA A DATA DA CAMINHADA DO FORRÓ DE ARCOVERDE


Momento da Caminhada do Forró de 2016

Após este Blog divulgar a data da Caminhada do Forró de Arcoverde para o dia 23/06 (sexta-feira), várias pessoas nos enviaram mensagens solicitando a sua alteração para o dia seguinte. Os pedidos partiram principalmente de turistas, sob a alegação de que somente chegarão a Arcoverde na noite do dia 23, portanto, ficariam impossibilitados de participar deste evento, que já é uma marca do concorrido São João da nossa cidade.

Também demonstraram interesse na mudança os comerciários, que argumentam estarem trabalhando na sexta, de modo que a alteração da Caminhada para o sábado, dia feriado, possibilitaria sua participação na animada festança.

Diante dos apelos, o COCAR, com a concordância da Prefeitura Municipal, resolveu alterar a data da Caminhada do Forró para o sábado dia 24 de junho, com a saída marcada para o mesmo local do ano passado, o Bar Madeira de Lei, com concentração a partir das 10h.

Conforme adiantamos, o homenageado será Valdecir Vicente,  o sanfoneiro mais idoso em atividade no Município.

Acompanhe aqui todas as notícias sobre a VII CAMINHADA DO FORRÓ DE ARCOVERDE.

foto: Acervo do COCAR

sábado, 8 de abril de 2017

CAMINHADA DO FORRÓ DE ARCOVERDE JÁ TEM DATA MARCADA

Seu Valdecir Vicente, o homenageado

O COCAR já definiu que a sétima edição da Caminhada do Forró de Arcoverde será realizada no dia 23/06/2017 (sexta) e novamente terá a concentração no Bar Madeira de Lei, de onde o cortejo junino sairá para o CECORA. 

O homenageado do evento também já foi escolhido. Será Valdecir Vicente, o mais antigo sanfoneiro em atividade no Município. Natural de Poção, o músico iniciou sua carreira em 1959, tocando em festas na Zona Rural do Município de Pesqueira.

Depois, mudou-se para Arcoverde e aqui notabilizou-se como um excelente animador de quadrilhas nas palhoças e escolas da cidade. É presença garantida em todos os encontros de sanfoneiros que ocorrem na Região, sendo grande apreciador de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, tendo como música preferida do seu repertório Cacimba Nova, do compositor Zé Marcolino. 

Segundo a Presidente do COCAR, Edilza Vasconcelos, "esse ano a Caminhada passou a integrar o calendário cultural de Arcoverde, o que lhe dará maior visibilidade e apoio, assim, o evento promete se ampliar em 2017."

 foto: acervo do COCAR

segunda-feira, 20 de março de 2017

LEANDRO VAZ FAZ SHOWS EM RECIFE


Leandro Vaz

O cantor e compositor arcoverdense Leandro Vaz estará este final de semana se apresentando na Capital Pernambucana. O Poeta fará duas apresentações. Na sexta-feira (24/3) o show será no Bar Caldo de Boteco localizado na Rua da Soledade, 58, Boa Vista. Ali Leandro receberá amigos e apresentará um repertório recheado de toadas, baiões, cocos e muita poesia.

No sábado (25/3), ele fará um dueto com a consagrada cantora Sevy Nascimento, num show denominado "Cantorias e Madrigais", que trará um repertório composto de músicas autorais e clássicos do cancioneiro nordestino. A apresentação contará com as participações de Chico Pedrosa, Eunaide Monteiro, Luizinho de Serra, Kleber Araújo, Bia Marinho, Jadson Lima, Greg Marinho. Este evento será na Embaixada do Pajeú, Rua Rotary, 431 Aldeia, Km 6.

Mais informações sobre o "Cantorias e Madrigais" pelo fone: (81) 999748981

fotos: acervo de Leandro Vaz

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

INAUGURAÇÃO DO PAINEL LITERÁRIO DE SERTÂNIA


Painel Literário de Sertânia

O Projeto Painel Literário de Sertânia decora antiga estação de trem com poemas de artistas da terra ilustrados com gravuras. A inauguração do Projeto que ficará na Estação das Letras e na Praça dos Poemas ocorreu na última sexta feira, dia 30 de dezembro, na Estação Ferroviária, onde houve recital de poesia, música e apresentações artísticas e culturais.

O espaço contou com microfone livre. Ali compareceram artistas, poetas e amantes da cultura de Sertânia e Região que participaram de uma festa maravilhosa que se transformou em confraternização dos artistas da terra.

No Painel estão presentes nomes dos dramaturgos, escritores de literatura infantil, contistas, romancistas, memorialistas, poetas e escritores, além de compositores e musicistas. Há também poemas de poetas sertanienses ilustrados por pinturas a óleo.

Já foram contemplados na Estação das Letras poemas de Alberto Oliveira ,Wilson Freire, Jairo Araujo ,Luiz Carlos Monteiro, Padre Airton, Fernando Patriota, Walmar, Carlos Enrique Sierra Mejía, Esio Rafael, Gaudêncio Pereira, Kalu Vital. Os Poetas que terão versos na Praça dos Poemas serão Ulysses Lins, Alcides Lopes de Siqueira, Corsino de Brito, Mozart Lopes de Siqueira, Marcos Cordeiro, Hamilton Rodrigues, José Carneiro Adilson Freire, Bartolomeu Brasiliano, Carlos Celso, Anacleto Carvalho, Luiz Wilson, Duval Brito, Rildo Mariano, além das publicações Sapecas Cabeça de Rato e Poesia Popular.

"Não vai dar pra contemplar todo mundo neste. Faremos outros pra incluir os que não entraram neste" , Justifica Wilton Augusto um dos organizadores. A Iniciativa é da Casa dos Poetas e da SAPECAS - Sociedade dos Poetas, Escritores,Compositores e Artistas de Sertânia, através do Projeto Poesiarte - Poesia nas Ruas.

O Painel que já está encantando adultos e crianças vai servir de atração turística para fotos. De acordo com Gabriel Oscar, o projeto além de reconhecer e valorizar artistas e poetas, impulsiona o nome de Sertânia como Terra das Letras e Capital Literária do Sertão. "É um grande projeto de leitura , uma aula diferente de literatura e arte, uma fonte de lazer sadio e um ponto turístico. Tudo num só", afirma Gabriel.

A comissão que está organizando o painel é formada por Gabriel Oscar na seleção dos Poemas, Josessandro Andrade na captação de patrocínio e Wilton Augusto e Jaciel nas pinturas e letras. O projeto já recebeu patrocínio de Jalvacy Dantas , Paulo Roberto, Escola o Pequeno Príncipe , Marcos de Adir, Cebolinha e Posto Pinheirão.

Colaboração: Josessandro Andrade
Foto: SAPECAS

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CARROÇADA NATALINA ACONTECE PRÓXIMO DIA 17 (SAB) EM ARCOVERDE



A 22ª Carroçada Natalina de Arcoverde será realizada no próximo sábado (17), no Sertão pernambucano. A festa é gratuita e promovida pelo músico Tonino Arcoverde em parceria com amigos. Haverá apresentações de diversas atrações musicais da cena pernambucana, com destaque para o cantor Juvenil Silva, que participa pela primeira vez do evento, além de Maciel Melo, Paulinho Leite, Publios e do próprio Tonino, dentre outros.

O festejo surgiu como uma forma de homenagear a mãe do músico. "Há 22 anos eu estava tocando violão na calçada quando passou uma carroça. Naquele dia, era aniversário da minha mãe. Aí eu pensei 'vamos passear com ela na carroça' e fomos. Desde então decidimos fazer o evento todos os anos", explica Tonino Arcoverde.

A mãe de Tonino morreu há sete anos. "Ainda assim continuamos o evento. 'Dona Pretinha', como ela era chamada, continua conosco", diz o músico. A concentração da Carroçada é na Rua do Urubu, no Centro da cidade, tendo início às 16h.

Em 2015 a Carroçada não se realizou em respeito ao luto de algumas pessoas que residem na Rua do Urubu. Os organizadores prometem que este ano a festa retoma com toda a força para que não se perca esta destacada tradição do ciclo natalino arcoverdense.

A programação completa da festa, que conta com o apoio do COCAR, encontra-se no folder acima.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Literatura no Sertão: a poética do colonialismo e do culto à personalidade

 Josessandro Andrade (*)



O colonialismo foi implantado no Brasil em 1500, com a chegada da esquadra de Cabral, que para promover a extração das riquezas naturais, explorava a boa fé dos índios nativos, que deslumbrados com as novidades que eram os homens brancos portugueses, na sua inocência chegavam a trocar pedras preciosas por espelhos. Desta forma o homem indígena valorizava o que vinha de fora, desprezando o que tinha de mais valioso, de mais genuíno e que era seu.

Dentro do pacto colonial firmado entre a coroa portuguesa e a igreja católica ficara acordado que ao império português cabia desenvolver a exploração de mão-de-obra escrava dos índios para extração de produtos naturais, contando com a colaboração do clero católico no sentido de domesticar os nativos , que em troca teria a oportunidade de conquistar entre os índios, novos seguidores para sua religião. Uma mão lavando a outra.

Os indígenas foram perdendo a sua identidade cultural, na medida em que a Companhia de Jesus,que chegara ao Brasil , iniciara um processo de cooptação dos índios, utilizando a literatura como instrumento de catequese. Os Padres Jesuítas estudaram a língua Guarani e organizaram uma gramática desse idioma. Passaram a encenar peças teatrais sacras e a recitarem poemas religiosos para os nativos, a princípio na língua dos índios para comunicarem melhor. Quando perceberam que seus textos já estabelecem uma dominação ideológica sobre o pensamento dos tupi-guaranis, posteriormente, os textos passam a ser falados em língua portuguesa.

Nunca a força literária da palavra fora tão evidente num processo de Colonização cultural como este. Não é toa que numa peça teatral de José de Anchieta , tudo relacionado ao diabo pertence ao índio e tudo aquilo que se refere aos anjos está ligado ao português. Os índios desta forma vão perdendo sua língua, sua religião e vão perdendo toda uma cultura, seus cantos, versos, pinturas e danças, aderindo a cultura do branco, o que vai ser decisivo no seu processo de aniquilamento cultural e no seu extermínio como povo, que vem tendo efeitos até hoje.

Dos milhões que haviam no Brasil no período quinhentista restam poucos milhares nos dias atuais. Obviamente que nenhum povo, cultura ou literatura esta livre de influências externas. Elas são inclusive benéficas, desde que não sejam impostas ou esmaguem a cultura da terra. Na antropofagia de Oswald de Andrade, o Movimento Modernista argumenta que deve-se digerir aquilo vier de fora e servir como elemento de influência, para alimentar a sua obra. Ele defendia aquilo que chamou de “devoração cultural das técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação".

O escritor e teórico modernista dá assim um teor metafórico a palavra “Antropofagia”, encarada por ele como a deglutição do outro externo, como a influência dos Estados Unidos e da Europa, bem como a do outro interno, como a influência dos índios nativos e dos negros africanos, ambos incorporados a paisagem social brasileira. E construir assim uma estética top de linha, tipo exportação.

Por outro lado, é inegável aquilo que Bakthin observa no seu dialogismo, ou seja a polifonia dos textos, onde uns e outros dialogam e se influenciam. Inicialmente podemos concluir que a literatura tem esta possibilidade de reafirmar ou não a identidade de um povo ou então de estabelecer o domínio de uma nação ou de uma região sobre a outra. Nunca é demais lembrar a afirmação critica de Bakthin, de que “Lingua é poder”. O poder de dominar ou a aceitação de um poder para ser dominado.

Quem se organiza culturalmente e desenvolve uma articulação literária será capaz de se impor e construir um projeto poético ou prosador próprio, suficiente para defender a sobrevivência e o fortalecimento de sua identidade cultural. Para o estudioso Antônio Cândido, as condições necessárias para que se tenha uma literatura de um povo, de uma região ou de uma sociedade são a existência de escritores escrevendo e publicando, uma crítica especializada que estude e discuta esta produção e um público leitor que consuma as obras. Estabelecendo-se desta forma, um povo adquire sua autonomia cultural e personalidade artística.

Há uma relação muito próxima entre colonização e dominação e por consequência, o culto à personalidade do colonizador, do dominador. Culto a personalidade este exercido pelo colonizado, pelo dominado.O culto a personalidade é uma ação que visa exaltar de forma exagerada as virtudes de algo ou de alguém, divulgando–as de forma exageradamente positivista. Assemelha-se à apoteose, que consiste em elevar alguém a condição de Deus, de divindade. Esta estratégia é utilizada em muitas ditaduras, mas também em alguns regimes da democracia.

O culto a personalidade retira do cidadão a sua condição de sujeito pensante e reflexivo, uma vez que coloca-o cultuado acima de tudo e de todos os demais mortais, como ser inquestionável, o que contribui para instalação da burrice. Na literatura, o culto a personalidade se faz presente nas academias, nas associações, na imprensa, nas universidades e no meio literário, através das igrejinhas que se criam privilegiando uma meia dúzia de escritores e críticos.

Os exaltados são sempre os mesmos, ícones que são sacralizados e considerados perfeitos. Temos observado em nossa região sertaneja elementos que nos levam a identificar características de colonialismo literário e do que chamamos de poética do culto à personalidade. Para esta mentalidade e esta prática, a poesia é um privilégio de determinadas terras , clãs e regiões, de determinados ícones, como se a prática do verso e da prosa fosse verdadeira capitania hereditária. Embora saibamos que algumas regiões possam ter uma tendência maior que outras à prática da literatura poética ou prosadora, isso não quer dizer que as outras não possam ter sua produção.

Embora compreendemos que a literatura e sua elaboração também atende a tendências genéticas, acreditamos que, aliado a tudo isto e talvez, o fundamental é o incentivo, o ambiente e um esforço, fruto de um interesse coletivo e pessoal, pois literatura não é só inspiração, mas sobretudo lapidação, trabalho e depuração do texto, escrevendo, refazendo, relendo várias vezes até esgotar a possibilidade de reescrita, e ao longo do tempo melhorando cada vez mais a capacidade de produzir.

Obviamente associado a desenvolvimento de uma boa leitura. A expedição de outro modernista, Mário de Andrade, que esteve no Sertão do Moxotó por volta de 1917, já catalogava aqui sons e cantos genuínos dessa região, como o aboio e o samba de coco. A cidade de Arcoverde foi palco desse registro. De lá prá cá , Arcoverde com o seu samba de coco e sua música vem somando este cabedal aos talentos literários típicos da pluralidade característica do Moxotó como Micheliny Veruscki, Carlos Alberto Cavalcanti, Eraldo Galindo, além dos poetas frequentadores da Bodega da poesia, reduto da poética popular do bairro do São Cristovão, como Irason Bezerra , Rômulo Campos, Leandro Vaz, Micheline e Túlio Araujo, (sem esquecer do Grande Bardo Givaldo Rodrigues),no sentido de oportunizar espaços de expressão estética aos habitantes desta microrregião.

Vale salientar que temos em outra cidade do Sertão do Moxotó, Sertânia, uma forte produção literária e poética, o que leva alguns a classificá-la como berço de escritores, "Cidade de Poetas". Observe ainda que usamos a preposição “de” e não “dos”, pois entende-se aqui que prática poético-literária não é uma exclusividade ou monopólio de quem quer que seja. Por onde passamos, ministrando a oficina “Viagem a uma Cidade de Poetas”, (inclusive recentemente na UEPB - Universidade Estadual da Paraíba),temos dito que toda cidade pode ser “uma Cidade de Poetas”, pois não existe “a Cidade dos Poetas”.

Isto quer dizer que desde que surgiu no mundo grego, a poesia espalhou-se pelo mundo e não é propriedade exclusiva de nenhum povo ou nação. Que cada ser humano pode ser um poeta, que poeta não é apenas quem escreve, mas também que tem sensibilidade para compreender, sentir e admirar a poesia. Pedimos aqui licença ao poeta Pedro Américo para dizer que Sertânia é uma “República de Poesia”, onde convivem todas as formas de produção poética, já que todas elas são válidas e encantadoras, desde a toada boca de grota, a literatura de cordel, aos sonetos , trovas e versos livres.

Nossa matriz literária é abrangente e múltipla , uma fertilidade que acolhe e dá aconchego as mais diversas linguagens. Desta maneira, nossa concepção de poesia é generosa, a achamos tão necessária como uma demanda básica. Ela é uma ferramenta importante no processo de construção da felicidade humana. A Poesia é como uma orquestra sinfônica que deslumbra. Quantas depressões, quantos cânceres, quantos AVC’s podem ser evitados com a magia terapêutica da poesia... Isto pode ser testemunhado pelo o que observou Antonio Andrade Leal (Professor Universitário, pesquisador- Vitória da Conquista-BA): “No Sertão do Moxotó avistei uma cidade, suas ruas, suas praça exalavam poesia. Nas minhas batidas de pernas pelo mundo afora, Sertânia me impressionou pela sua representatividade em se falando de cultura popular. Pequena em território mas grande em poesia, viva Sertânia!! ”.

Por tudo isto não podemos aceitar que queiram nos colocar como satélites poéticos de outras cidades ou regiões. Esta subserviência literária que nos coloca como plateia e não como protagonistas poético-literários só serve a interesses pessoais de grupos, que por intermédio da postura colonializada e do culto à personalidade de outras regiões, tentam através da imitação dos ícones e fórmulas alheias, pegar um atalho na história dos outros, sem ter um projeto literário próprio.

Com sabemos a cópia pouco valor tem, mas apenas o que é original , diferente e raro. O culto a personalidade de outras paragens revela falta de identidade cultural, a busca desenfreada pelo sucesso, suplicando a aceitação dos cultuados para obter um aval num supostamente seleto clube do amém. Pela ótica decorrente disso ai, por exemplo, o conceito de “fenômeno” não pode estar associado a preferência geográfica. Se um poeta é de casa, por mais brilhante que seja não pode ser considerado fenômeno... Mas, Se um que habitar no planeta sideral da poesia, há de ser classificado como “fenomenal”... Esta falta de critérios e de coerência no julgamentos de valor é típica do colonialismo literário e do culto a personalidade, que não obedece a padrões justos, fixos e imparciais, mas a preferências e ligações pessoais dos esquemas frutos do colonialismo e do culto a personalidade.

Para tanto, precisamos fazer aquilo que já nos foi apontado: a luta e defesa dos nossos poetas e escritores. Uma terra que tem Mestres da poesia como Ulysses Lins,”O Trovador do Moxotó”, Waldemar Cordeiro “O Gênio do Lirismo”, Alcides Lopes de Siqueira, “O Menestrel do Sertão", bem como poetas do calibre de Corsino de Brito, Mozart Lopes de Siqueira, Hamilton Rodrigues, Marcos Cordeiro, José Carneiro, Adilson Freire, Carlos Celso, Ésio Rafael, Anacleto Carvalho, Alberto Oliveira, Antônio Belo, Padre Airton Freire, Luiz Carlos Monteiro, Wilson Freire, Jairo Araújo, Walmar, Josimar Matos, Zito Jr, Flávio Magalhães, Genival Pereira(Gato Novo), Luiz Freire, Inácio Siqueira, Luiz Wilson, Antônio Amaral, Duval Brito, Lailton Araujo, André Pinheiro, Kalu Vital, Adilson Medeiros,Liu Pinheiro, Rosa Ignez, Theresinha Lins, Ada Siqueira, Elisa Freire, Maria do Carmo Sampaio, Eliane Freire, Suzana Vasconcelos, Vanuza Silva, Adriana Neves, Bruna Ranyere, Ismênia Thereza, e tantos outros mais não precisa cultuar quem já tem seu próprio e justo prestigio.

Por mais respeito e admiração que possamos ter por poetas de outras cidades não podemos jamais substituir os nossos, que não ficam a dever a nenhuma cidade, posto que já representam a característica, a história e o jeito de ser de um povo. Os nossos vates não são melhores nem piores do que os outros. São diferentes e únicos e como tais devem ser valorizados porque são maravilhosos e porque constituem nossa identidade. E também porque já desfrutam do reconhecimento lá fora, faltando aqui o devido registro de seu potencial.

A não ser que queiramos assinar atestado de “colonizados”, promovendo culto à personalidade de outros lugares, permanecendo na zona de conforto do fácil, do que já é aceito, do que é estabelecido, imitando e copiando, exaltando e cultuando quem já tem o seu sucesso e não necessita mais deste culto à personalidade.Isso não quer dizer de maneira nenhuma que teremos uma postura de xenofobia, de nos fecharmos ao que nos vem de fora, mas de valorizar, de reforçar o nosso, para que possamos dialogar em pé de igualdade com as influências externas que nos agradem.

Neste sentido, convém lutar para que esta valorização não se restrinja ao meio literário. Ela deve ser levada às escolas, à imprensa, à sociedade como um todo. Deve ser apoiada pelo poder público e pelo setor privado, criando uma identidade da cidade intimamente ligada a isso. Envolver toda a cidade, inclusive a zona rural e a periferia. O Moxotó, como Sertão de mil veredas terá assim uma ação pioneira e de vanguarda , que o colocará como Nação altiva, autônoma e sábia. Pressupostos para seu desenvolvimento como sociedade civilizada e sensível.

(*) Josessandro Andrade é professor licenciado em Letras, com pós-graduação em Língua Portuguesa,. Desenvolve ainda atividades de Poeta, Compositor , Autor Teatral e Cordelista. Vencedor do Prêmio Nacional Viva a Leitura, do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura.

foto: Sertânia Vip