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sábado, 8 de outubro de 2011

OS SESSENTA ANOS DA CANTRIZ PARAIBANA ELBA RAMALHO

Quando Elba Ramalho surgiu para a discografia brasileira em 1979, com o disco Ave de Prata, muita gente estranhou. Realmente tratava-se de uma cantora de sotaque forte, cuja voz era como se fosse uma pedra bruta, o que fez muitos a chamarem de “gasguita”, que é aquela que canta esgoelando-se. Um exemplo dessa voz “não trabalhada” de Elba pode ser constatado na gravação do baião “Não Sonho Mais”, de Chico Buarque, que saiu no seu primeiro disco, o qual tinha uns versos dizendo assim: “Foi um sonho medonho desses que às vezes a gente sonha/E baba na fronha e se urina toda e quer sufocar”.

Desde que assisti ao primeiro espetáculo de Elba com o show de mesmo nome, eu tive a certeza de que ali estava uma futura grande estrela da MPB. Ela tinha tudo para dar certo: uma voz inconfundível e inimitável, uma presença de palco fortíssima, fruto da intensa atividade teatral que tivera antes, e mais ainda: um cabelo alvoroçado, um remelexo estonteante e um belo par de pernas! Sem contar que sempre soube cativar o público com sua alegria contagiante.

Seus primeiros trabalhos foram ótimos: Ave de Prata em 1979, Capim do Vale em 1980, e Elba Ramalho em 1981, o primeiro pelo selo Epic e os outros lançados pela CBS. Mas foi em 1982 que ela conseguiu vender mais de 300 mil cópias de um LP fantástico chamado “Alegria”. Com esse disco Elba conseguiu conquistar definitivamente seu público que até hoje lhe é fiel. Em Caruaru, por exemplo, ela nunca fez um show para menos de 40.000 pessoas no Pátio do Forró.

Elba não é simplesmente uma forrozeira, mas quando canta forró não tem pra ninguém. O que me marcou desse disco de 1982, foi a participação de Jackson do Pandeiro com uma música dele e de Kaká do Asfalto que foi, infelizmente, sua última composição. E também foi sua última participação em gravação, tocando pandeiro ao lado do irmão Cícero, este na zabumba, justamente no forró que ele deu de presente à amiga Elba: NO SOM DA SANFONA. Jackson do Pandeiro faleceu em Brasília em 10/07/1982, aos 62 anos. Com arranjos de José Américo e sanfona dele mesmo, esta música tem um magnetismo tão grande que até hoje quando é tocada num show ninguém fica parado. Não esquecendo que em 1982 a sua voz já estava perfeitamente amaciada!

Era um disco que os fãs de Elba reclamavam muito por que não havia sido lançado no formato de CD, porém graças ao empenho do crítico e produtor musical Rodrigo Faour, este e outros discos famosos de Elba foram remasterizados e chegaram ao mercado.

Sobre este disco Alegria, vejamos o que ele falou:

“Com este seu quarto disco, Alegria, Elba Ramalho passava a se tornar uma das cantoras mais populares do Brasil, disputando a parada de sucessos naquele ano com outras divas do quilate de Gal Costa, Simone, Rita Lee, Beth Carvalho, Baby Consuelo, Amelinha e Clara Nunes. Não havia festa junina onde não se tocasse “Bate, coração”, “Amor com café” ou “No som da sanfona”. Sua “alegria” era realmente contagiante, seu sotaque irresistível (e não tão carregado quanto nos três primeiros discos) e seu som era regional sem deixar de ser universal. Ponto para a produção de Aramis Barros e para os arranjos do maestro Zé Américo Bastos, que conseguiram a façanha de içá-la ao merecido estrelato.”

Elba Maria Nunes Ramalho nasceu em Conceição do Piancó/PB, em 17/08/1951. Completou neste ano da graça de 2011, 60 anos de idade. Dizem que para uma mulher não é grande coisa festejar 60 anos, mas para nós que somos fãs da artista, é hora de agradecermos esses 32 anos de convivência musical com esta estrela de brilho farto. Ela é uma das responsáveis pela urbanização do forró juntamente com Dominguinhos. Com Elba, o forró ainda é um gênero musical de vergonha. Sou grato a ela também por isso!

Não tenho o disco remasterizado do Rodrigo, mas eu mesmo melhorei o áudio que tinha do velho LP “Alegria” que contém a música NO SOM DA SANFONA. Interessante que essa música é tão bem bolada que pode ser cantada como baião, forró e xote. Coisa de quem sabia tudo de ritmo: Jackson do Pandeiro e Kaká do Asfalto. Para quem não entende muito de ritmos nordestinos, o forró é apenas um baião mais apressadinho e com mais suingue.

Fiquem com a alegria de NO SOM DA SANFONA com a nossa querida Elba Ramalho. Espero que aqueles que ainda não conheciam este forró, que o curtam muito. Dedico-o a um amigo paulista que hoje faz aniversário, o overmundano Adauto Suannes, desejando-lhe muita saúde! Foi ele que me incentivou a escrever sobre música. Boa audição!

Por Abílio Neto - Pesquisador Recifense (publicado em http://www.overmundo.com.br)

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